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Porque não votarei no PS
 

     

Autor: ANTONIO VILLAR DE SOUZA

24-08-2009 11:00:00

 

Tinha sete anos quando o meu pai me ofereceu a minha primeira arma, uma Diana modelo 15 de 4,5mm. Mas a caça já era o meu desporto favorito desde os cinco, entre muros da quinta de meu avô, no Guincho em Cascais.

Nos verões, a partir de Agosto, largava a praia e os amigos e zarpava para o campo, o­nde os dias começavam ainda mal se via e corria a vinha e os pomares de fisga e bolsos dos calções cheios de pedras, caçando flosas, fuínhos, verdelhões, tentilhões, pardais e, às vezes, uma vez por outra uns melros mais distraídos.

Também carregava algumas dezenas de armadilhas que enchia com formigas d’asa que ia retirando da minha velha latinha de leite condensado já sem rótulo e com pega de cordel.

Aprendi o gosto pela emoção de, escondido na palhota a vinte metros de distância da rede que se estendia junto ao bebedouro enterrado no chão, aguardava tremendo que os pássaros ali se juntassem para em conjunto saciarem a sede. Então, com um puxão tão valente que me fazia sempre, bater com as costas no chão e a cabeça na parede de trás da palhota, levantava-me agarrava na gaiola e corria a cobrar mais aquele lance de caça.

Aos catorze tive autorização de acompanhar o meu avô a atirar em voo, às rolas que, quem for daquelas paragens e daqueles tempos, lembra-se dos milhares e milhares que passavam.

 
   
 «O Estado não se sentia ameaçado pelos caçadores e tinha confiança nas pessoas de bem – aqueles que o registo criminal indicava não terem cadastro. Qualquer que fosse a sua condição social.» 
   

Quando fiz dezoito anos a prenda de meu avô foi, para além do porte de arma, uma FN Browning super alliger, calibre 20 que desde à uns dois anos para cá voltei a pegar.

Fiz grandes caçadas nestes quase sessenta anos de adepto de Sto Huberto. Conheci centenas de caçadores e cacei com inúmeros deles. Também tive ocasiões que evidenciei algumas qualidades de marteleiro… Mas, acima de tudo nunca irei esquecer o que realmente a caça é, um manancial de franco convívio, um meio de criar grandes amizades e essencialmente o primeiro desporto criado pelo Homem, a partir de tempos ancestrais, para subsistência sua e dos seus.

Nos tempos de Salazar, Marcelo Caetano, da PIDE ou da DGS, qualquer um que apresentasse o seu cartão de identidade, o registo criminal limpo e pagasse 40 ou 50$00, podia obter o porte de arma de caça. Eram os tempos do obscurantismo, do terror fascista, como se diz agora. O Estado não se sentia ameaçado pelos caçadores e tinha confiança nas pessoas de bem – aqueles que o registo criminal indicava não terem cadastro. Qualquer que fosse a sua condição social.

Tudo mais ou menos continuou na mesma até que o eng. Sócrates ganhou o poder e a maioria socialista apoiou o abrir da gaveta o­nde o Dr. Mário Soares havia enterrado o marxismo, quando foi primeiro-ministro.

Surgiram as reformas em catadupa de acordo com aquelas ideias, algumas sem rei nem roque, evidenciando desde logo uma tendência pró soviética de um país de duas classes sociais. A elite do partido e os outros.

À elite, cabe a responsabilização do usufruto dos dinheiros públicos (oficialmente, ou não) aos outros encher os cofres do Estado com impostos e, (uma invenção maquiavélica para duplicar o pecúlio) desmedidas coimas por dá cá aquela palha.

Porque estou a expressar-me livremente (até quando?) num portal para caçadores, não me adiantarei a mencionar os casos que todos conhecem, como o “mistério do diploma”, “o caso freeport” e tantos outros.

Mencionarei somente aquilo que, a todos nós nos diz respeito, esta malfadada Lei das Armas e da Caça.

Somos cento e cinquenta mil (em termos de votos que percentagem dará?) Já fomos o dobro. Caço já vai para sessenta anos, sempre legalmente a partir que tive idade para isso. Nunca ninguém me pediu qualquer documento, nem me senti, fosse o­nde fosse, durante qualquer actividade cinegética como um marginal.

Contou-me um amigo, que no ano passado, ele e o seu grupo de caça foram cercados por guardas armados até aos dentes, mais gravoso, de armas apontadas, até todos depositarem as espingardas no chão e inquiridos a mostrarem a documentação entre comentários despropositados, como se de bandidos se tratassem.

Ao que chegámos?

Até podia passar por cima do “mistério do diploma”, do caso do freeport” e mais da longa lista que todos os dias vamos conhecendo pelos órgãos de informação.

Mas não passo por cima de situações o­nde a minha dignidade como pessoa de bem seja afectada.

Por isso não votarei no PS.

Mas também não me vou abster. Votarei nalgum dos outros. Não queria votar à sorte, preferia e daria como certo o meu voto a quem peremptoriamente nos garantisse que a Lei das Armas e da Caça era para rasgar.
 

 
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Comentário(s) (16)   Comentário(s) (16)    
    Salazar    
    Comentário    
    Têm que se decidir    
    Premeditação    
    Neste PS ...nunca    
    Eu votarei P.S.    
    Também nós fomos muito maltratados nos últimos tempos (Artur Guérin)    
    Não votar PS é um dever cívico...    
    Politica de caça?    
    Agora é que é !    
    Dignidade    
    Mais um voto...no não!    
    Confrade    
    Nem eu    
    Eu Também nao!!!!!    
    EU TAMBÉM NÃO    
   
     
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