Contudo e apesar da relevância sócio-económica que os tordos têm em Portugal, e não obstante a importância ecológica que espécies como o tordo-comum e ruivo têm sobre os nossos ecossistemas, regista-se uma grande lacuna ao nível de estudos científicos sobre os factores que condicionam a dinâmica populacional das mesmas.
Nos últimos anos a experiência de campo revela uma preocupante tendência regressiva relativamente a estas espécies, o que parece aconselhar alguma precaução no que concerne à pressão de caça a autorizar.
Preocupados com esta situação a Federação Portuguesa de Caçadores e o Departamento de Ecologia da Universidade de Évora entregaram na Secretaria de Estado das Florestas uma proposta de estudo que visa o desenvolvimento de investigação conducente ao estabelecimento de critérios para a gestão cinegética dos tordos nas suas áreas de invernada. Pretende-se assim com este projecto de investigação científica aplicada que se prevê ter inicio já em Outubro do corrente ano, e que terá uma duração total de 45 meses, dar resposta a algumas das questões que tanto têm intrigado as organizações do sector da caça.
A possibilidade de realização deste projecto único a nível europeu, revela-se de extrema importância para o sector e para o país, dado que possibilita uma gestão cinegética destas espécies, mais sustentada em bases técnico-científicas. O estudo que irá ainda contar com a participação da Universidade do Porto (CIBIO), aguarda aprovação da tutela respectivamente ao financiamento, dado que o mecanismo previsto para custear estas situações (Fundo para a Pesca em Águas Interiores e para a Caça) ainda não está devidamente concretizado. Face à relevância do mesmo aguarda-se uma resposta pronta da tutela, que permita a sua concretização quer através de protocolo com a Autoridade Florestal Nacional (AFN) quer através de recurso a outros meios de suporte financeiro.