| | 277 Utilizadores on-line |    

Login [Entrar]

 
   
 
 
Opinião

Início

Anterior

Próximo

Fim


Caçador e sociedade = família
 

     

Autor: António Luiz Pacheco

29-04-2005 15:30:00

 

"A família obviamente entra e com muita pertinência nesta questão da imagem do caçador-homem."
"O caçador esclarecido que reflecte e sabe o que faz, porquê e como. Que se ilustra, que faz da caça uma filosofia e um modo de estar na vida, que sabe ser a caça moderna, uma escola de virtudes e um modelo socialmente correcto."


Caros Confrades

Eis de facto um excelente tema para debater, porque sendo nossa preocupação a nova imagem do caçador, a família como célula, ainda fundamental na nossa sociedade, pode ser um ponto de partida.

Hoje que tanto se discute o aborto, que alguns sectores vêem como um meio de irresponsabilizar o sexo livre, enquanto outros o entendem como uma medida de alcance e de justiça social, que se discute a legitimidade dos casais homossexuais e a adopção de crianças por eles, quando o divórcio é uma forma corrente e cada vez mais divulgada, pois temos talvez que assumir o risco de que nós que vivemos em família tradicional, ao discutir tal questão, sirva para que os nossos detractores nos atirem ainda para o mais recôndito do passadismo imobilista, retrógrado e conservador.

Por mim não me ralo nada, sou um rural que se julga esclarecido, caçador militante e continuo a acreditar na família e nos laços de sangue como pedra-base da nossa sociedade. Sou também um tradicionalista por escolha própria e consciente, embora atento e aberto à evolução e à modernidade que em vez de combater tento usar a meu favor.

Depois desta declaração, parece-me que estou pronto a entrar no tema!
Já sabem os confrades que sou um incorrigível discursador, mas porque gosto de deixar claros os comos e os porquês.
Na sociedade e por desconhecimento puro, a caça é vista á imagem de cada um. A violência está hoje mais presente do que nunca, seja nas imagens dos médias que nos entram pelos olhos, seja no lazer, pelos filmes e jogos, seja no dia-a-dia nas escolas, ruas e empresas, no trânsito e em qualquer discussão, até na política e no desporto!

Então como as pessoas hoje se não contêm e deixam explodir a sua violência em qualquer momento e a propósito de tudo, acham que o toureio e a caça são ainda manifestações de violência como os hooligans, assassínios em série, massacres étnicos, etc. Veja-se que os próprios defensores dos animais e os ecologistas que tradicionalmente se assumem como pacifistas, assumem já as posições de violência psicológica e mesmo física.

Portanto, o caçador DIVERTE-SE a matar animais!

Isto faz tanto sentido quanto eu dizer que o objectivo dos ditos amigos dos animais é FAZER SEXO com eles!

Apenas denota falta de informação sobre os seus objectivos, desentendimento dos seus propósitos e grande desrespeito pelos seus sentimentos!

Exactamente que se passa em relação a nós!

No dia em que o fizermos perceber, está o problema resolvido, e para tal entra aquilo que venho há tantos anos, em hectolitros de tinta e toneladas de papel, mas também num esforço de evolução pessoal, defendendo, que é o tal caçador moderno, especializado, um desportista, um esteta e um protector da natureza.

O caçador esclarecido que reflecte e sabe o que faz, porquê e como. Que se ilustra, que faz da caça uma filosofia e um modo de estar na vida, que sabe ser a caça moderna, uma escola de virtudes e um modelo socialmente correcto.

O homem é um fugitivo da natureza, saiu dela e se perdeu. O caçador pelo contrário se integra na natureza porque caça. Não se integra por ver filmes na TV cabo e ler uns livros sobre animais em semi-cativeiro nos parques, nem por passear barbudo, de rabo-de-cavalo e piercings, pelo campo...

A família obviamente entra e com muita pertinência nesta questão da imagem do caçador-homem. O caçador tem de ser também, como qualquer cidadão, um chefe de família, na melhor acepção do termo.

Uma esmagadora percentagem dos caçadores são-no por tradição familiar.

Os nossos pais e avós nos levaram a caçar, mas as mães, avós e mulheres nos prepararam farnéis, cuidaram da roupa, de ferimentos e até das consequências de algumas "celebrações mais exageradas...". Nos nossos filhos, sobrinhos e afilhados, amigos ou vizinhos, jovens, reside a nossa esperança de continuidade.

Então não vamos começar em casa, junto das caras-metades e descendência o trabalho de divulgação, buscando apoio e partilhando com eles a nossa outra paixão?

Em tempo, de facto havia uma separação e as actividades físicas de lazer se consideravam reservadas aos homens, como no trabalho e educação.

Sempre ouvi minha avó dizer, ralhando:"Os homens na taberna, as mulheres na cozinha e os cães na rua!", isto a propósito de ter dentro de casa um cão vindo de uma jornada de caça no Inverno...dá para entender não é?

Mas a sociedade evoluiu e a mulher reconquistou por direito o seu lugar, a par do homem, dividindo competências. È algo de tão corriqueiro hoje em dia, que nem se questiona. Porém, continua a haver obviamente actividades DE HOMEM e DE MULHER, embora cada vez mais estreitas as fronteiras...

Compreendo que há lugares e situações o­nde as mulheres têm o seu reduto, como no cabeleireiro, o­nde saudavelmente fofocam e dão à língua e dizem mal dos homens, como boas e genuínas mulheres, com todo o respeito e é uma terapia, acreditem!

Do mesmo modo, constitui saudável terapia de grupo, um almoço de homens, bem regado, o­nde se comenta a "boazona" da vizinha, o que só pode ser feito entre homens, obviamente!

E vem daqui algum mal ao mundo ou à sociedade? Me parece que não.

Ou seja por uma questão de sanidade e de manutenção de uma diferença que existe e tem de ser cultivada, no interesse das saudáveis relações homem-mulher, tem de haver situações destas reservando a cada um, mesmo dentro do casal, o seu próprio espaço.

Mas, também tem de haver partilha e encontro de interesses e actividades, sem o que o casal não ganhará a necessária cumplicidade, que dantes era imposta e hoje deve ser cultivada.

Tenho quase 50 anos, fui educado de modo tradicional, e sou casado segunda vez. Nunca minha mãe acompanhou meu pai na caça. Curiosamente, ainda tenho uma "Hopkins and Hallen", de cão e um cano só, em calibre 16, com que minha avó atirava eventualmente aos coelhos, nas batidas!

Portanto nem é tão novidade assim...
A minha mulher, que foi praticante de atletismo e hoje faz caminhadas a par do yoga, acompanha-me por vezes a caçar perdizes de salto a que muito gosta de assistir, já não apreciando a caça ao coelho. Também vai comigo muitas vezes às montarias e tem episódios como quase ter sido atropelada por uma enorme porca nas Russianas. Tem aguentado "sovas" a andar, em jornadas que alguns companheiros ficaram pelo caminho...mas isso são outras histórias.

Foi comigo caçar a Moçambique e vai este ano a Angola. Só não foi para o mato aos búfalos porque o Manuel Carona achou que na erva alta a coisa podia ser complicada e com grande pena, entendemos que era uma responsabilidade acrescida e uma distracção para o profissional...

Ora então porque é que as mulheres não hão-de participar da nossa confraria, dentro dos limites do bom-senso e do decoro?

Se houver senhoras, pois haverá tento na língua e compostura, porque ser-se cavalheiro não é impeditivo de se ser caçador de barba-rija!

Ser caçador não é vestir um camuflado, usar barba de três dias, dizer palavrões a torto e a direito e beber "minis" ao pequeno-almoço!
Aceito que tal pode ser considerada uma terapia, mas só de vez em quando, se continuadamente embrutece o caçador e nada de positivo daí virá.

Ter uma roupa de caça e cuidar do equipamento, pelo contrário denota um caçador consciente e competente.

Eia pá que grande testamento..., mas muito fica por dizer!

Ao debate Confrades! Venham essas ideias e opiniões, casquem-me a preceito e força nessas teclas!

As senhoras também, aproveitem e digam de sua justiça, tragam um pouco da Vossa garridice e tradicional bom-senso a este fórum de mariolas.

Um abraço a todos.

 Texto extraído do Fórum deste Portal (ver debate click aqui)
 

 
Imprimir   Imprimir
     
     
     
     
 
 
 
Votos (263)    
 
     
   
     
  Voltar

 
 

| Ficha Técnica | Aviso Legal | Política de Privacidade |

 

(TES:1s) © 2004 - 2018 online desde 15-5-2004